Quando a Beata crescer

julho 25, 2009

BiancaNão sei se isso era normal, mas sempre que eu entrava em alguma banca de jornal, voltava a atenção a um cantinho lotado por livretos intitulados Sabrina, Julia, Bianca, entre outros nomes femininos e sugestivos. A capa? Uma mulher enrolada em algum macho, certamente. Só que minha inocência, isso eu juro, haha, não falhou dessas vezes e nunca me permitiu imaginar o que haveria lá dentro. Também nunca tive coragem de tocá-los. Todo mundo evitava os livretos, não? Então, por algum motivo, talvez por acharem brega, eu também deveria evitar demonstrar meu interesse.
Aí a Beata “cresceu” (as aspas desconsideram a altura, falou?). Passeando por aí com o Nordicus Barbarius e meu Avô, que hoje se encontram juntos, paramos em uma banca de jornal chique de esquina. Lá estavam Sabrina, Julia e outras sedutoras. Ah, amigos, dessa vez não passou: peguei um deles e comecei a ler em voz alta pro nórdico e pro Vô. O nórdico aprovou e revezamos leituras, para o provável descontentamento do dono da banca. O Vô não deu muita bola e foi ver as moças das revistas que ficam em cima para que as crianças não alcancem (né, Vô?).
Surpresos? De três trechos lidos, três descreviam uma cena de séquisso. Essa era a proporção.  Juro que me decepcionei um pouco, mas, pensando bem, já imaginava algo assim (pensei, por exemplo, que não seria conveniente lê-los no sebo enquanto uma velhinha  me encarava). Uma coisa salvou meu dia, pelo menos, e foi o primeiro livro descrever um umbigo como (pasmem) “aquele lindo orifício no meio de seu ser“. Fala se essa não é fenomenal? E olhem que nem era o orifício mais interessante da estória!

Outra coisa que me instigou foi uma idéia mirabolante. Meio que um plano de vida. Esses livros devem fazer sucesso, não?  Procurando com o Chico Rojão, encontrei um blog sobre eles que conta com 75 seguidores (creio que seguidoras). Então minha mente suja e criadora e inconveniente pensou: Beata, imagine uma editora ferrada que publicasse livros como esse, só que com temas yaoi ou yuri? Ah, seria tããão legal! Óbvio que seriam estórias melhores. Acho.

Não tem jeito, gente. Se continuar nessas, tenho tudo pra ser pobre.

Nota: não, não curto esse tipo de leitura. Prefiro o santificado yaoi.


Tô bege

julho 21, 2009

“Quem entra em grandes livrarias de todo o país e é atraído por títulos clássicos -em geral de obras antigas, sob domínio público-, nem imagina que pode estar comprando gato por lebre. Traduções plagiadas são vendidas sem cerimônia por editoras conhecidas nacionalmente, sob pseudônimos falsos ou atribuição errônea.

Um dos casos mais conhecidos no meio editorial agora virou caso de polícia. A pedido do Ministério Público Estadual, a polícia instaurou na última sexta-feira um inquérito contra a editora Martin Claret, por violação de direitos autorais.

Mais em Observatório da Imprensa, por Marcos Strecker.

Encontrado em www.diggs.com.br.


Final não!

julho 21, 2009

A primeira promessa que fiz no final das aulas de junho foi não ficar sozinha. No ano passado, me isolei no computador com amigos distantes e passei o mês numa melancolia medonha, ocupando meus dias com absolutamente nada e sentindo um vazio gigante. No início de agosto, então, consegui me sentir ainda pior. Não sei se foi consequência direta, mas foram noites e noites de choro desesperado e vontade de voltar pra casa. Portanto, esse ano tinha que ser diferente.

Eis que estou na última semana de férias. A promessa vinha sendo bem cumprida, senti-me radiante durante todo o mês. Cozinhei, desenhei, li, saí, domi… Acho que, com exceção de escrever, todas as pequenas promessas foram realizadas. Então a Bia foi viajar, o fim foi se aproximando e eu tô me isolando outra vez. Não que as pessoas me isolem; eu sou quem faz isso. Ligo o PC, que me irrita, dificilmente saio do quarto e não olho nos olhos de quem converso. Ah, e brigo com todo mundo.

A única solução é as férias pararem de acabar. Tem como?


O problema da Beata

julho 15, 2009

O Guilhermaugusto é um safado. Fez uma pobre beata prometer ligar pra ele nessas férias assim que o malandro voltasse para a cidadela onde viviam. Chico Rojão, então, em uma entrada triunfal, lembrou-lhe que o celular de Guilhermaugusto havia sido roubado alguns meses antes.
E agora, o que a Beata pode fazer?


Minhas férias

julho 12, 2009

Minhas férias já estão na metade e estou razoavelmente feliz por ser sugada pela inércia, pelo nada, por minha casa. Do que eu chamava Vitórias de Férias, a mais importante era perder a noção dos dias. Perdi, recentemente, a dos dias do mês e da semana. Como é que se esquece o dia da semana? Isso é maravilhoso.
No começo, passei algum tempo cozinhando, como havia planejado. Então, todo mundo em casa começou a engordar, inclusive eu. Aí tive de parar com os doces e massas. Isso porque em casa temos uma forte comunhão alimentícia: todos devem experimentar o que é preparado em nossa cozinha. Também, ninguém resiste a bolos exóticos, tortinhas e massa caseira de macarrão.
Ah, cheguei a botar corante alimentício na massa, recentemente. Ficou estranha; verde e vermelha quando crua, rosa e azul-bebê quando cozida. Desbotou durante o cozimento e a água da panela ficou roxa. Muito estranho. O Rodrigo me ajudou numa parte do preparo e comeu, depois.
Sinceramente, não senti prazer em comer macarrão colorido. Parece que aquela corzinha amarela do ovo estimula o apetite, fazendo com que fique boa até pura, só com o leve sabor da margarina que sempre coloco antes de servir separada do molho, pra ela não grudar.
Ah, mesmo assim, pretendo fazer pizza amanhã. O preparo da massa é bem mais simples, fora que reencontrei a receita anotada há menos de uma semana. E olha que estamos todos de regime. Droga de regime.
Junto com o caderno onde a receita se encontra, um com uma foto da Clarice Lispector na capa, recebido graças a uma excursão ao Museu da Língua Portuguesa uns anos atrás, reencontrei meu caderno de rascunhos da oitava série, antes do inferninho pré-vestibular ou mesmo da minha mudança de cidade. Foi iniciado e finalizado no mesmo ano, apesar de trazer uns cantos com anotações do primeiro ano do médio. Descobri que escrevia bem, sabe? Tinha mais espontaneidade do que hoje em dia. E as histórias yaoi são, em boa parte, boas. Sim, boas. Perdi dois anos de escritora virtual de yaoi achando que não conseguiria nunca me satisfazer.
Depois disso, decidi voltar a tentar escrever. Aproveitando o resto das férias pra imergir um pouco no isolamento de anos atrás, aceitei ler um dos livros favoritos do Rodrigo. Foi uma noite em claro e metade devorado. Agora, faz dois dias que não tenho coragem de continuar. Não pela leitura em si, mas porque já sei um fato decepcionante do enredo (malditos traileres, malditos) e cada vez que paro de ler, é como se voltar à leitura fosse desejar a frustração que vou ter ao chegar naquela parte. É isso que me desanima a ver filmes, também, mesmo sabendo que não vou conseguir parar quando começar a ler o livro ou ver o filme por serem bons. Estranho?
O livro é Reparação, base do filme Desejo e Reparação. Por que raios todos os nomes de filme devem começar por “Desejo” ou terminar em “da Paixão” , “da Pesada” e “Muito Louco” aqui no amado Brasil? Adoro isso, hahaha, mentira.
O próximo passo é conseguir escrever. Tenho fé, ainda — o Word tá até aberto.
Rezem por mim, amiguinhos.
Fim.


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