Não sei se isso era normal, mas sempre que eu entrava em alguma banca de jornal, voltava a atenção a um cantinho lotado por livretos intitulados Sabrina, Julia, Bianca, entre outros nomes femininos e sugestivos. A capa? Uma mulher enrolada em algum macho, certamente. Só que minha inocência, isso eu juro, haha, não falhou dessas vezes e nunca me permitiu imaginar o que haveria lá dentro. Também nunca tive coragem de tocá-los. Todo mundo evitava os livretos, não? Então, por algum motivo, talvez por acharem brega, eu também deveria evitar demonstrar meu interesse.
Aí a Beata “cresceu” (as aspas desconsideram a altura, falou?). Passeando por aí com o Nordicus Barbarius e meu Avô, que hoje se encontram juntos, paramos em uma banca de jornal chique de esquina. Lá estavam Sabrina, Julia e outras sedutoras. Ah, amigos, dessa vez não passou: peguei um deles e comecei a ler em voz alta pro nórdico e pro Vô. O nórdico aprovou e revezamos leituras, para o provável descontentamento do dono da banca. O Vô não deu muita bola e foi ver as moças das revistas que ficam em cima para que as crianças não alcancem (né, Vô?).
Surpresos? De três trechos lidos, três descreviam uma cena de séquisso. Essa era a proporção. Juro que me decepcionei um pouco, mas, pensando bem, já imaginava algo assim (pensei, por exemplo, que não seria conveniente lê-los no sebo enquanto uma velhinha me encarava). Uma coisa salvou meu dia, pelo menos, e foi o primeiro livro descrever um umbigo como (pasmem) “aquele lindo orifício no meio de seu ser“. Fala se essa não é fenomenal? E olhem que nem era o orifício mais interessante da estória!
Outra coisa que me instigou foi uma idéia mirabolante. Meio que um plano de vida. Esses livros devem fazer sucesso, não? Procurando com o Chico Rojão, encontrei um blog sobre eles que conta com 75 seguidores (creio que seguidoras). Então minha mente suja e criadora e inconveniente pensou: Beata, imagine uma editora ferrada que publicasse livros como esse, só que com temas yaoi ou yuri? Ah, seria tããão legal! Óbvio que seriam estórias melhores. Acho.
Não tem jeito, gente. Se continuar nessas, tenho tudo pra ser pobre.
Nota: não, não curto esse tipo de leitura. Prefiro o santificado yaoi.
Yaoi? Santificado? *risada longa*
E se eu ajudei a procurar isso estava bêbado! Onde já se viu alguém da minha estirpe fazendo essas coisas?
Aaaaah, tá se desmentindo na frente da sociedade crucificadora, né? Toma vergonha, toma vergonha! Isso que nem comentei da sua leitura acidental de hoje…
Vc me induz ao erro e à vergonha! Atrevida!
Você não gosta? Como? É muito poético: “aquele lindo orifício no meio de seu ser“. Hahahahaha
O se é. Dá até arrepios no velho aqui hahahaha.
Mentira que o velho aqui já está acostumado com essas literaturas de minha época. Na minha idade garoto, é necessário mais do que “um lindo orifício” para me dar arrepios.
Garoto? Olha o respeito, compadre! Sou mais caquético que vc! E na minha idade eu ainda dou no couro, fique vc sabendo!
Parem de esfregar suas fraldas geriátricas um na cara do outro, malcriados!
Quem quiser, pode esfregar fraldas geriátricas na minha cara.
Sobrou uma vírgula ali.
:O Que petulância! Ele é seu avô, menina! Eu não sou parente, mas mesmo assim quero respeito! E quem usa fralda geriátrica é a $%¨&$%¨&
Ai, meu braço esquerdo tá começando a doer… culpa sua!
Adorei o novo layout. Mais “clean”.
Hahahahaahahahhahahahahahahaha, vou comprar um da Sabrina! E queria ter visto o dono da banca olhando com cara de ”A infância está perdida” para vocês. E nem me venha com sua inocência, Nani, quem te viu quem te vê…
Pô, acabaram comigo…
A infância está perdida mesmo…
Na minha época, os livrinhos tinham seção restrita e os velhinhos não lavavam roupa suja em público. Esses jovens velhos de hoje…
Eu vi o bistrequinho do gato abigail, viu… e tava escrito “tralalá”.
Nossa, odeio velho prestativo.
Ah, que demonstração incomum de afeto e carinho…
também gosto de vc
Nosso amor é tudo.