Minhas férias já estão na metade e estou razoavelmente feliz por ser sugada pela inércia, pelo nada, por minha casa. Do que eu chamava Vitórias de Férias, a mais importante era perder a noção dos dias. Perdi, recentemente, a dos dias do mês e da semana. Como é que se esquece o dia da semana? Isso é maravilhoso.
No começo, passei algum tempo cozinhando, como havia planejado. Então, todo mundo em casa começou a engordar, inclusive eu. Aí tive de parar com os doces e massas. Isso porque em casa temos uma forte comunhão alimentícia: todos devem experimentar o que é preparado em nossa cozinha. Também, ninguém resiste a bolos exóticos, tortinhas e massa caseira de macarrão.
Ah, cheguei a botar corante alimentício na massa, recentemente. Ficou estranha; verde e vermelha quando crua, rosa e azul-bebê quando cozida. Desbotou durante o cozimento e a água da panela ficou roxa. Muito estranho. O Rodrigo me ajudou numa parte do preparo e comeu, depois.
Sinceramente, não senti prazer em comer macarrão colorido. Parece que aquela corzinha amarela do ovo estimula o apetite, fazendo com que fique boa até pura, só com o leve sabor da margarina que sempre coloco antes de servir separada do molho, pra ela não grudar.
Ah, mesmo assim, pretendo fazer pizza amanhã. O preparo da massa é bem mais simples, fora que reencontrei a receita anotada há menos de uma semana. E olha que estamos todos de regime. Droga de regime.
Junto com o caderno onde a receita se encontra, um com uma foto da Clarice Lispector na capa, recebido graças a uma excursão ao Museu da Língua Portuguesa uns anos atrás, reencontrei meu caderno de rascunhos da oitava série, antes do inferninho pré-vestibular ou mesmo da minha mudança de cidade. Foi iniciado e finalizado no mesmo ano, apesar de trazer uns cantos com anotações do primeiro ano do médio. Descobri que escrevia bem, sabe? Tinha mais espontaneidade do que hoje em dia. E as histórias yaoi são, em boa parte, boas. Sim, boas. Perdi dois anos de escritora virtual de yaoi achando que não conseguiria nunca me satisfazer.
Depois disso, decidi voltar a tentar escrever. Aproveitando o resto das férias pra imergir um pouco no isolamento de anos atrás, aceitei ler um dos livros favoritos do Rodrigo. Foi uma noite em claro e metade devorado. Agora, faz dois dias que não tenho coragem de continuar. Não pela leitura em si, mas porque já sei um fato decepcionante do enredo (malditos traileres, malditos) e cada vez que paro de ler, é como se voltar à leitura fosse desejar a frustração que vou ter ao chegar naquela parte. É isso que me desanima a ver filmes, também, mesmo sabendo que não vou conseguir parar quando começar a ler o livro ou ver o filme por serem bons. Estranho?
O livro é Reparação, base do filme Desejo e Reparação. Por que raios todos os nomes de filme devem começar por “Desejo” ou terminar em “da Paixão” , “da Pesada” e “Muito Louco” aqui no amado Brasil? Adoro isso, hahaha, mentira.
O próximo passo é conseguir escrever. Tenho fé, ainda — o Word tá até aberto.
Rezem por mim, amiguinhos.
Fim.
Minhas férias
julho 12, 2009Frio e Projeto Mecenas
junho 7, 2009

Pra fingir que ainda estou viva, vou postar outro desenho. É a Sra. Griffin, personagem de O Ladrão da Eternidade, do Clive Barker. Também é um “ooolha o que eu li!”. O magavinífico livro é do Zé, e acho que todo mundo deveria ler. Além disso, me faz pensar sobre o que falta na literatura infantil brasileira. Não que seja ruim, mas não vejo destaques. Dá a impressão de que tudo se torna uma infinita massa de historietas afundadas em meias-palavras. Pronto, falei.
O traço do artista é simplesmente inspirador. Cada personagem tem uma caracterização marcante e cada cena, suas cores próprias. Alguns aspectos são explicados no final do livro, num espaço reservado ao ilustrador. A Sra. Griffin, por exemplo, feita basicamente por cabeça e mão (não dá pra ver no meu desenho, mas o corpo é looongo e fino), é inspirada em uma marionete.
Ops. Spoiler. Parei.
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Sim, imagino que ver desenhos seja ainda mais desinteressante do que ler sobre uma vida santa, mas ando sem ter muito o que dizer. Nos últimos finais de semana, fui completamente absorvida por The Sims e comida. Pra piorar, faz duas semanas que não estudo. Acho que logo, logo vou ser absorvida pelo Nada.
Terça retrasada e quarta passada foram dias de prova. Isso me foi desculpa pra não estudar no restante das duas semanas, e uma pontada de desespero tá querendo aparecer. Sério, não aguento mais! Tava seguindo a rotina de estudo já fazia cinco meses… É demais pra minha vida preguiçosa e passiva (e devota). Meus planos são estudar pelo menos nessa última semana de aula e na próxima, é claro, por ser semana de provas. Depois, adivinhem: beata sai de férias!
Na quarta, pela noite, visitei o Projeto Mecenas, mostra de arquitetura, design e paisagismo de São José do Rio Preto. Tava frio pra caramba, e Bárbara e Beata acabaram chegando quando Maria Clara, Guilherme e Kauê estavam de saída. Tudo bem, ficamos só nós duas.
Bárbara logo reclamou que a casa era pequena (era mesmo!), e nossa primeira glória foi encontrar o banheiro. Havia espaços realmente interessantes, mas também trabalhos péssimos. Havia um que era quase exposição de uma só loja! O patrocinador só faltou oferecer o nome rabiscado sobre o nome do arquiteto.
Conversamos com quase todo o pessoal que tava auxiliando. Eram estudantes de arquitetura, do primeiro ao último ano, que sabiam coisa ou outra sobre o trabalho. O assunto, na verdade, nem foram as propostas: foi o curso de arquitetura. Já faz eras que enrolo na hora de pesquisar sobre e achei que seria uma chance válida.
Também descobri que o que se via por ali, basicamente Design de interiores, era assunto de pós, como arquitetos não são necessariamente designers. Daí fiquei me questionando sobre os limites entre Engenharia civil e Arquitetura. Pra alguém que parte pra essa parte técnica e estrutural, não seria mais interessante Engenharia? Enfim, confusões de ignorância. Um dia, hei de pesquisar melhor.
Também tinha gente do SENAC. Passamos um bom tempo conversando com a representante. A parte deles foi uma fusão entre o pessoal do curso de Design de interiores, Moda e Maquilagem. Promoveram um desfile no primeiro dia, inclusive. A decoração consistia em alguns modelitos, pinturas na parede e uma maquina de costura luxuosamente antiga. Achei a proposta interessante (principalmente quanto à interação entre cursos), mas de estética fraca. E é uma opinião de interessada, certo? Não de entendedora.
Tinha muito mais coisa, destaque pro banheiro do quarto dos netos (xeeente, uma pia baixa, de quinas arredondadas e coberta por pastilhas verdes linda!) e pra suíte master. Soube que a casa é “emprestada” pra mostra e a dona fica com parte do que é reformado (a pia linda, por exemplo, não sai). Nos fundos, tinha música e comida. Não jantamos, já que não pagamos por isso na entrada. Ainda bem, porque tinha cheiro de comida pra cachorro, sério.
Não ficamos muito, a mostra era meeesmo pequena. Senti um leve preconceito com a nossa condição de estudantes do Ensino Médio mal vestidas, apesar de alunos do Seta terem desconto. Desconto não é uma espécie de convite? É, talvez não. Não importou: fomos intrometidas e sorridentes.
Tsc.
Um desenho
abril 18, 2009Cordeirinhos, vamos às novidades:
A história do tomate havia acontecido na terça-feira, antes da sexta-feira da paixão. Após o feriado prolongado, la beata chegou feliz com uma sacolinha de tomates na pensão, achando que seria a semana mais sacra de sua vida alimentar.
Segunda-feira… Deu. Comi tomate, cortei bonitinho, fiz um prato até agradável. Terça-feira, um deles já estava podre (comi os outros) e aquilo me deu uma sensação de intoxicação alimentar e agonia e AIMEUDEUSnãoaguentomaistomatenojinhobotasalnessam… Aí comi uns três e pedi um chinainbox padrão, que foi devorado em poucos minutos. Amém.
NÃO, eu NÃO TÔ FICANDO LOUCA. Já larguei as ideias do tomate.
Escaneei um desenho aleatório aqui, de quando meu caderno de desenho ainda não havia sido invadido por contas e resumos de escola. Olha, não sei colorir, tá mal escaneada, o pescoço do da esquerda tá gigantesco, a mão do da direita tá desproporcionalmente pequena, a boina tá estranha e etc etc etc, MAS ainda gosto desse desenho inacabado.

Sim, são dois homens.
Cursive Buildings
abril 4, 2009Esse é legal, xente.
Diretamente do blog cursivebuildings.com, projeto de Joshua Heineman. Achei no FFFFOUND. Ele pega imagens estereoscópicas da Livraria Pública de Nova Iorque e as sobrepõe, fazendo um GIF.








Foi difícil escolher. Se quiserem, tem mais imagem no site do Heineman.
A propósito, estereoscopia é uma técnica capaz de produzir uma imagem tridimensional ou criar ilusão de profundidade, como o que ocorre nos olhinhos que Jesus deu a vocês. Exemplificando, amiguinhos: se vocês colocarem o dedão diante de seus rostos e o observarem com um olho de cada vez, notarão uma certa diferença de posição do dedo. É assim que surge o efeito de profundidade.
Dei uma lida muito superficial nos sites encontrados, mas, de acordo com a Santa Wikipédia de Guadalupe, foi Sir Charles Wheatstone em 1840, o inventor da técnica. Quanto à finalidade, a que achei mais expressiva foi a visualização de imagens aéreas “tridimensionais” pra melhor identificação do relevo da região. Ou seja, genial, beibes. Os caras tiravam duas fotos (de distância calculada, é claro) e, através de um óculos ou de um aparelho engraçado, faziam o que um computador faria hoje.
O óculos e o aparelho engraçado (vou linkar pra descrição da Santa Wiki pra simplificar em explicação e créditos):
Dos sites:
http://lala.cursivebuildings.com/tagged/reaching/
http://en.wikipedia.org/wiki/Stereoscopy
http://nautilus.fis.uc.pt/cec/teses/joana/prototipo/estereoscopia.htm

Sobre robôs e árvores
março 29, 2009Se me dão tempo livre na internet (ou se substituo as horas de estudo por vadiagem), acabo descobrindo coisas tão legais que, no fundo, preferia nem ver, de tanta vontade que dá de conseguir fazer igual.

Pense em bonequinhos de madeira. Agora imagine robozinhos. Pra finalizar, dê a tudo isso um toque extremamente moderno-oriental e um acabamento sublime.
Takeji Nakagawa, ou Take-G, vive em uma parte do Japão famosa pelo artesanato tradicional. Como artesão, utiliza-se de uma técnica chamada Yosegi-Mokuzougan, que consiste em construção através da junção de blocos de madeira.
Os trabalhos são simplesmente perfeitos. Se você imagina um monte de quadradinhos malfeitos, vai se surpreender ao ver que os bonequinhos são arredondados, de diversas cores (todas naturais, vindas da madeira utilizada) e que a técnica está completamente submissa à intenção.
Ele diz que relaciona robôs com o futuro, o qual, na verdade, não deve representar montes de metais, plásticos, vidros e outras coisas que podem ser vistas em um filme de ficção científica. O que a humanidade busca é algo mais natural. Árvores, por exemplo.
E se as árvores demoram décadas para crescer e nos mostrar sua beleza, elas trazem consigo o passado. Logo, ele tenta juntar passado e futuro em seu trabalho.
Eu gosto.




O site do artista (ou, como ele diz, artesão) é http://take-g.com/. O menu está em inglês e, no blog, os posts mais revelantes também. A galeria traz mais imagens e mais bonequinhos, e são todos demais! O resto, amores, só japonês.
Escrito por Naira 