Sabem de uma coisa? Eu não sei andar de bicicleta. Juro.
Andar, andar, até consigo, desde que não acenem pra mim na rua, porque se eu soltar uma mão do guidão, já era. Também não consigo fazer curvas muito fechadas sem gritar ou cair, muito menos agüentar subidas com minhas pernocas roliças.
A primeira vez que saí na rua de bicicleta foi com minha querida irmã, Nádia, a esportista. Devia ter uns… Sete, seis anos, não me lembro. Estávamos comentando sobre isso ontem. Trombei em vááários carros parados, me ralei toda, e depois tentei encobrir as provas passando maquiagem na perna. Minha irmã, desde então, não me tirou de casa numa bicicleta por dez anos, ou seja, até alguns meses atrás. Disse que não queria se responsabilizar por minha morte prematura. Eu também não fiz muita questão, bicicleta me dá ~~PÂNICO~~.
Pedalamos ontem, domingo de dia dos pais. Fomos até um canto da cidade ver casas bonitas e assim se passou uma hora. A volta foi terrível, terrível, minha pressão sempre vai lá embaixo e sinto enjôo. Minha bunda ainda tá doendo; as pernocas, não. Me questionei quanto à bunda do Chico Rojão ou do meu ator favorito. A bunda de vocês não dói? Pelamor, hein.
Tenho mais uma semana de recesso-gripe-suína para andar de bicicleta, mas meus planos se resumem a aprender a fazer coxinhas cremosas de frango. Se me dessem mais semanas, juro que faria planos melhores. Um filme, por exemplo. Agora não dá mais, já que quase todo mundo aqui na cidade tá em aula e eu só tenho que acordar cedo para levar choque nos músculos cervicais a alguns quarteirões de casa. Ah, além de tudo, a moça que me dá choque disse que sou tensa. Tensa.
Preferiria ouvir que sou intensa, mas ela não achou uma boa idéia e enfiou o fiozinho de choque no meu nariz. Agora estou sangrando por lugares que nem conhecia (frase do Zé). Acho que preciso de mais medicamentos.
Ontem, fui até Votuporanga com minha irmã esportista para beber na Cachaçaria Água Doce. Eu sei que o nome é o inverso, não impliquem. O que importa é que não posso ingerir álcool por causa dum remédio pra gargantas ferradas, então o esquema foi tomar o remédio depois, junto com o relaxante muscular. O nome do remédio é Astro, aliás. Pois é.
Mesmo com remédio, tive uma crise de tosse na cachaçaria. Eu dizia “Nádia, vou vomitar, socorr-”, e ela tentava disfarçar porque todo mundo tava olhando preocupado com minha crise de dez minutos, principalmente a grávida ao lado, acho que pensando em gripe suína. Depois de conseguirmos pedir uma garrafinha d’água em nome de Jesus, tomei um antialérgico com a promessa de que a garganta não coçaria mais. Fiquei me pergutando se era remedinho psicológico, como os pra crianças que só saram se forem inteligentes, embora a Nádia tenha dito que não era o caso. Funcionou, pelo menos.
Tudo isso fez com que eu me emocionasse e criasse um Twitter, a mando de um dos velhos que jogam cartas com meu avô. Não tinha feito antes porque sou uma pessoa extremamente sem graça e não teria o que escrever. Agora que vi que todo mundo é sem graça também, liguei o foda-se, o mesmo foda-se que me faz postar esse texto nada a ver. Ai, ai, são tantas emoções…
Escrito por Naira