Não sei andar de bicicleta

agosto 10, 2009

Sabem de uma coisa? Eu não sei andar de bicicleta. Juro.
Andar, andar, até consigo, desde que não acenem pra mim na rua, porque se eu soltar uma mão do guidão, já era. Também não consigo fazer curvas muito fechadas sem gritar ou cair, muito menos agüentar subidas com minhas pernocas roliças.
A primeira vez que saí na rua de bicicleta foi com minha querida irmã, Nádia, a esportista. Devia ter uns… Sete, seis anos, não me lembro. Estávamos comentando sobre isso ontem. Trombei em vááários carros parados, me ralei toda, e depois tentei encobrir as provas passando maquiagem na perna. Minha irmã, desde então, não me tirou de casa numa bicicleta por dez anos, ou seja, até alguns meses atrás. Disse que não queria se responsabilizar por minha morte prematura. Eu também não fiz muita questão, bicicleta me dá ~~PÂNICO~~.
Pedalamos ontem, domingo de dia dos pais. Fomos até um canto da cidade ver casas bonitas e assim se passou uma hora. A volta foi terrível, terrível, minha pressão sempre vai lá embaixo e sinto enjôo. Minha bunda ainda tá doendo; as pernocas, não. Me questionei quanto à bunda do Chico Rojão ou do meu ator favorito. A bunda de vocês não dói? Pelamor, hein.

Tenho mais uma semana de recesso-gripe-suína para andar de bicicleta, mas meus planos se resumem a aprender a fazer coxinhas cremosas de frango.  Se me dessem mais semanas, juro que faria planos melhores. Um filme, por exemplo. Agora não dá mais, já que quase todo mundo aqui na cidade tá em aula e eu só tenho que acordar cedo para levar choque nos músculos cervicais a alguns quarteirões de casa. Ah, além de tudo, a moça que me dá choque disse que sou tensa. Tensa.
Preferiria ouvir que sou intensa, mas ela não achou uma boa idéia e enfiou o fiozinho de choque no meu nariz. Agora estou sangrando por lugares que nem conhecia (frase do Zé). Acho que preciso de mais medicamentos.

Ontem, fui até Votuporanga com minha irmã esportista para beber na Cachaçaria Água Doce. Eu sei que o nome é o inverso, não impliquem. O que importa é que não posso ingerir álcool por causa dum remédio pra gargantas ferradas, então o esquema foi tomar o remédio depois, junto com o relaxante muscular. O nome do remédio é Astro, aliás. Pois é.
Mesmo com remédio, tive uma crise de tosse na cachaçaria. Eu dizia “Nádia, vou vomitar, socorr-”, e ela tentava disfarçar porque todo mundo tava olhando preocupado com minha crise de dez minutos, principalmente a grávida ao lado, acho que pensando em gripe suína. Depois de conseguirmos pedir uma garrafinha d’água em nome de Jesus, tomei um antialérgico com a promessa de que a garganta não coçaria mais. Fiquei me pergutando se era remedinho psicológico, como os pra crianças que só saram se forem inteligentes, embora a Nádia tenha dito que não era o caso. Funcionou, pelo menos.

Tudo isso fez com que eu me emocionasse e criasse um Twitter, a mando de um dos velhos que jogam cartas com meu avô. Não tinha feito antes porque sou uma pessoa extremamente sem graça e não teria o que escrever. Agora que vi que todo mundo é sem graça também, liguei o foda-se, o mesmo foda-se que me faz postar esse texto nada a ver. Ai, ai, são tantas emoções…


Beata vai à capital

maio 9, 2009

Minha desculpa inicial para o sumisso no blog seria uma viagem pra Brasília há acho que dois finais de semana. Como só entro de sexta, sábado e domingo, não teve como postar nada. Aí  acumulei umas cinco postagens na cabeça e não, não me lembro de nenhuma, só da sobre a viagem. Enfim, fica sendo esse o assunto, mesmo.

Não parei no Congresso Nacional, não tirei foto rezando na Catedral, não vi Catetinho, Salto do Tororó, Mumunhas,  não tomei o poder. Na verdade, fui a uma festa de aniversário (de ônibus, sério) acompanhando minha irmã e passamos por esses lugares.
Minha foto do Congresso é uma bacia envolta pela janela do ônibus:

Bacia Nacional

Isso é que é foto bem tirada, podem falar.
Alguns outros apontamentos:

  • os ministérios são verdes e feios;
  • metade de Brasília é gramado;
  • até  recepcionista de hotel tem cara de deputado;
  • havia uma senhora de 80 anos no nosso quarto;
  • experimentar corpete fora do provador da loja não é inteligente;
  • casquinha do Giraffas é melhor que do Mequidondi;
  • essa senhora é legal demais;
  • festa me tira o apetite;
  • vinho prosecco serve;
  • memória apagada a partir daí (mentira).

Ao menos visitei o Memorial JK. É demais, sério. Pra reprodução ser mais detalhista, só faltariam suas cuequinhas e as datas de utilização. Há fotos maravilhosas, lá, inúmeros pertences pessoais e uma reprodução de sua biblioteca. Entrei nela e meti a mão em todos os livros (sem, é claro, retirá-los das prateleiras). Com o tempo, fui percebendo um sonzinho irritante e pensei que poderia ter algum dispositivo que apitasse justamente quando ultrapassássemos os limites. Aí parei. Tava todo mundo roçando nas capinhas como eu, e os funcionários (vestidos de comissários de bordo, hihi, adorei) com cara feliz de que nem mais valia a pena implicar. Aí fiquei sorrindo diante da cena. Boba.
Os restos mortais do ex-presidente estão numa sala redonda, com paredes negras, chão de carpete vermelho e uma espécie de… Seria vitral? Vitral de anjo sobre o sepulcro da mesma pedra negra da parede. É lindo. Tem umas fotos aqui (na verdade, são muitas do Memorial, só que dá trabalho passar pra cá e minha preguiça não me estimula).

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A arquitetura, como se sabe, é estonteante. Mesmo passando por pouquíssimas partes da cidade (creio que não cheguei a adentrá-la realmente), passeei por Brasília de boca aberta. E o mais interessante de uma cidade planejada, pelo menos creio que seja esse o motivo, é ver edifícios gigantescos e modernos cercados por vaaastos espaços de grama e rua. Muita grama e muita rua. Digamos que seja  surreal e… Feio. É, não gostei muito da sensação de perdida no meio do nada, com Niemeyer gatinho e Lula (com o primeiro, até rolava).
Qualquer coisa, é meu espírito do interior.

A festa foi demais, só lamento ter comido apenas salada. Até poderia ser regime, né? Mas não: deixei a comida e os doces de lado porque só fui comer quando já tava “boa” pra dançar sem sapato. Não desceria muito mais que isso. A safada da Nádia comeu todos os docinhos (tentando disfarçar a intenção de devorá-los diante de um integrante da banda louco pra puxar assunto) — eu quis morrer quando soube que eles existiam, no dia seguinte.

Batendo foto com plena noção do que se faz.

Outros apontamentos:

  • o garçom do prosecco era um piadista nato. A cada 20 minutos surgia d’entre as brumas do bifê com uma garrafa e olhar malicioso, oferecendo mais um pouco do vinho com cara de “meu, você tá ficando péssima e isso é um sarro!”;
  • na loja do corpete, creio que da rede Marisa, experimentamos até aquelas calcinhas redutoras de medidas por cima da roupa. Ninguém entendia coisa nenhuma, mas pegávamos os menores números só pra gritar “maaaais, maaais; murcha essa barriga, minha fia, que só faltam dois colchetes!”;

Se me vier algo mais, coloco aqui depois.


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